Fábulas de Esopo
O Lobo e o Cordeiro
O Lobo e o Cordeiro
Num pequeno córrego, um Lobo estava bebendo água, quando
chegou, mais abaixo da corrente, um Cordeiro, que também começou a
beber. O Lobo olhou com os olhos sanguinários e, arreganhando os dentes,
disse:
— Como ousa sujar a água onde bebemos?
O Cordeiro respondeu com humildade: — Estou abaixo de onde você
está bebendo e, por isso, eu não poderia sujar a tua água.
O Lobo, mostrando-se mais raivoso, tornou a falar: — E é por isso
que você sai xingando os outros por aí? No ano passado você andou
falando mal do meu pai!
O Cordeiro respondeu: — Creio que há um engano, porque eu nasci
há apenas três meses, então não havia nascido e por isso não tenho culpa.
O Lobo replicou: — Você tem culpa pelo estrago que fizestes
pastando em meu campo. E o Cordeiro disse: — Isso não parece possível,
porque ainda não tenho dentes.
O Lobo, sem mais razões, saltou sobre o Cordeiro o devorou.
Os Lobos e as Ovelhas
Os Lobos e as Ovelhas
Havia entre Lobos e Ovelhas uma guerra antiga. Ainda que fossem
mais fracas, as Ovelhas sempre levavam a melhor, pois eram ajudadas
pelos cães de guarda.
Certa vez, os Lobos pediram a paz, oferecendo os seus filhotes como
garantia, desde que as Ovelhas entregassem os cães de guarda.
As Ovelhas, cansadas daquela guerra, aceitaram o acordo e fizeram as
pazes com os lobos.
Porém, estando presos, os filhotes dos lobos começaram a uivar
continuamente. Seus pais, ouvindo isso, correram para acudi-los e
afirmaram que a paz estava quebrada e que tornariam a fazer a guerra.
As Ovelhas até tentaram se defender, mas como a sua principal força
dependia dos cães de guarda, que elas haviam entregado aos Lobos, foram
facilmente vencidas e devoradas.
O Ladrão e o Cão de Guarda
O Ladrão e o Cão de Guarda
Um ladrão, desejando entrar à noite em uma casa para roubar, trazia
consigo um pedaço de sanduíche para tentar distrair o Cão de Guarda que
vigiava a casa.
Porém, assim que o Ladrão lançou o naco ao solo, o Cão disse:
— Você só está me dando este pedaço de pão para que eu fique
quietinho e deixe você roubar a casa. Mas, já que é o dono da casa que me
sustenta a vida, não vou deixar de latir enquanto você não for embora ou
até que ele acorde e venha te enxotar. Não quero que este pedaço de pão
me custe morrer de fome o resto da vida.
O Leão e o Rato
O Leão e o Rato
Um Leão estava dormindo enquanto alguns ratos brincavam à sua
volta. Em um dado momento, pularam em cima dele, acordando-o.
O Leão pegou um deles com a intenção de matá-lo, mas, como o Rato
pediu com muita insistência para que fosse poupado, o Leão acabou o
soltando.
Pouco tempo depois, o Leão caiu em uma rede que os caçadores
haviam armado e, apesar de toda a sua força, não conseguiu se libertar.
O Rato, quando soube do que havia acontecido, foi até o local da
armadilha e, com muito empenho, começou a roer as cordas, até que,
rompendo a armadilha, o Leão ficou livre, como recompensa pela
misericórdia que tivera.
A Águia e a Raposa
A Águia e a Raposa
Uma Águia e uma Raposa ficaram amigas e resolveram ser vizinhas.
Elas pensaram que a convivência faria com que a amizade delas fosse
verdadeira.
A Águia fez o seu ninho bem no alto de uma árvore, enquanto a
Raposa entrou numa moita e deu cria ali. Porém, uma vez a Águia estava
precisando de comida e, aproveitando que a Raposa havia saído para caçar,
desceu do seu ninho, foi até a moita, raptou os filhotes da Raposa e os
devorou, dividindo a caça com seus filhotes.
A Raposa voltou e ficou muita aflita. Primeiro porque perdera os seus
filhotes, mas ainda mais pelo fato de que, por não poder voar, seria muito
difícil se vingar da Águia.
Por esse motivo, ficou praguejando, sem poder fazer nada. Mas não
demorou muito tempo até que o destino se revoltasse contra a Águia
traidora.
Certo dia, alguns homens estavam assando uma cabra quando a Águia
desceu do ninho e pegou um pedaço de carne para ela. Porém, havia uma
pequena brasa na carne, o que foi suficiente para atear fogo no ninho da
Águia.
A Águia sabia voar, mas os seus filhotes não. Não demorou muito
para que o fogo os atingisse e eles caíssem queimados no chão.
Vendo isso, a raposa se apressou e devorou todos eles na frente da
Águia.